🎬 Análise da temporada da Netflix do querido do Japão e do Brasil, a Lenda Ayrton Senna
Vamos combinar: as adaptações brasileiras no cinema ou na TV geralmente vão de pífias a simplistas. Ou seja, estamos muito bem treinados no entretenimento das comédias, onde os brasileiros brilham gritando uns com os outros — e, de alguma forma, isso faz rir. Mas drama sério? Ah, aí a coisa muda. Será que temos realmente espaço para mostrar “personagens de verdade” vivendo suas vidas ou só gente atuando no modo automático de novela barata?
Sem entrar no blá-blá-blá técnico de roteiro ou “como é difícil fazer cinema”, não é estranho notar a completa falta de carisma em produções brasileiras sérias? É a câmera? A qualidade da imagem? Ou só atuações que parecem ter sido gravadas durante uma terça-feira chuvosa e desmotivada? Na real, acho que o problema é como nos apresentam essas histórias. A imersão? Quase zero.
E, finalmente, senti que alguém finalmente entendeu a receita em algumas raríssimas produções — tipo “Tropa de Elite”, “Cidade de Deus” e até aquele filme do cachorro “Caramelo”. Talvez até em “Ainda Estou Aqui”, da Fernanda Torres. Mas repare: são poucos exemplos, e duas delas são recentes. Parece que os diretores brasileiros finalmente começaram a ficar espertos, percebendo que algumas técnicas realmente fazem a gente acreditar que o que vemos é real — e adivinha? Provavelmente veio com uma ajudinha do cinema americano.
🏎️ A série do Senna na Netflix: finalmente algo carismático
A série sobre Senna consegue ser curiosamente interessante. Dá para acompanhar de boa, graças à estética certeira e ao bom uso de línguas estrangeiras (inglês, francês, japonês, etc.) para mostrar o impacto das viagens entre equipes da F1. Nostalgia? Só no último episódio, mas há quatro cenas que grudam na sua memória se você teve a sorte de viver a era Senna ou é um pupilo que nasceu depois da sua morte.
A progressão da vida de Ayrton, com Gabriel Leone no volante, é bem executada. E vamos dar crédito: conseguir os locais de gravação das corridas e fazer o CGI dos carros funcionar é um feito e tanto — mesmo com alguns cortes rápidos e aquela falta de visão macro que provavelmente deixou a equipe de produção com dor de cabeça (ou um ataque de nervos pelo orçamento). Mas nada que atrapalhe a compreensão das cenas energéticas.
Sobre a atuação do Gabriel Leone: oscilante. Brilha quando está focado no universo das corridas, mas cai quando a história entra no lado romântico ou familiar de Ayrton. Não é um recurso de interpretação “ele se importa mais com carros do que com pessoas”, não. É que simplesmente não parece que o ator tinha ideia de onde levar as decisões do personagem nessas cenas. E, sim, há cenas de sexo — ninguém escaparia disso, claro e é aqui que o brilho dele some como personagem.
O destaque mesmo vai para Matt Mella como Alain Prost e Gabriel Louchard como… adivinhem? Galvão Bueno. Matt entrega a energia ácida, elegante e surreal de Prost, enquanto Gabriel Louchard consegue fazer a gente reconhecer imediatamente o Galvão em cada cena presente. Uma proeza que, infelizmente, o Gabriel Leone como Senna não consegue replicar em todas as cenas.
✅ Conclusão
Se você é fã das corridas de Fórmula 1™, a série entrega o que promete: corridas eletrizantes, barulho de motores e adrenalina. Para quem quer matar a saudade de Ayrton Senna, é oscilante — como todo brasileiro tentando drama sério. E se você só conhece o nome “Ayrton Senna”, prepare-se: é praticamente um buffet imersivo e carismático que te deixa feliz só de não estar assistindo mais uma comédia de gritaria nacional. "Simply the best".





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